sexta-feira, junho 24, 2022

Datas: Jean-Paul Belmondo, João Sayad e João Carlos Assis Brasil

Os americanos não tardaram a pô-­lo em pé de igualdade com Marlon Brando e James Dean, dado o vigor físico, o olhar irônico e o jeitão permanentemente desdenhoso com o cotidiano das relações em sociedade. O ator francês Jean-Paul Belmondo, logo em seu primeiro papel de sucesso — o bandido Michel Poiccard em Acossado, de 1960, clássico inaugural da nouvelle vague de Jean-Luc Godard —, virou marca de um tempo da cultura ocidental. Belmondo, na pele de seu personagem, desconstruía o lugar-comum: mas como assim, sentir alguma afeição por um assassino na tela? O tom natural de interpretação, como quem caminha pelos bulevares parisienses ao lado de Jean Seberg, com o The New York Herald Tribune em mãos, seria tão influente quanto os filmes em preto e branco de Godard e François Truffaut. Bébel, como era conhecido na França, faria sucesso em filmes de aventura e perseguição, mas foi para sempre acossado pelo primeiro sucesso nas telas. Morreu em 6 de setembro, aos 88 anos, em Paris, de causas não reveladas pela família.

Um economista republicano

COERÊNCIA - Sayad, sem ideologia: secretário dos governos do PT e do PSDB –Luis Ushirobira/Valor/Folhapress/.

Membro de um grupo conhecido como “os novos economistas paulistas”, ao lado de José Serra, Luciano Coutinho e André Franco Montoro Filho, João Sayad foi um dos nomes por trás da elaboração do projeto de reconstrução que culminaria com o Plano Cruzado, em 1986, ancorado na luta contra a hiperinflação e o congelamento de preços. Ministro do Planejamento do presidente José Sarney, nunca pôs a ideologia à frente dos interesses republicanos. Sayad foi também secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico durante a prefeitura de Marta Suplicy em São Paulo, então no PT, de 2001 a 2003. Quatro anos depois, seria secretário da Cultura e presidente da Fundação Padre Anchieta do governador tucano Serra. Morreu em 5 de setembro, em São Paulo, aos 75 anos, de leucemia.

Piano clássico e popular

VERSÁTIL - Brasil, de Chopin a Tom Jobim: teclado para todos os gostos –//Divulgação

O pianista João Carlos Assis Brasil, de formação clássica, com longos períodos de estudos na Europa, nunca teve receio em ir de Chopin, Debussy e Villa-Lobos a Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim e Chico Buarque de Hollanda. Internacionalmente reputado por suas interpretações de grandes compositores, no Brasil gravou com nomes como Maria Bethânia, Ney Matogrosso e Wagner Tiso. Morreu aos 76 anos, em 6 de setembro, de infarto, no Rio de Janeiro.

Trilha da resistência

Compositor de sinfonias e oratórios, o grego Mikis Theodorakis ficou mundialmente conhecido pela trilha sonora do filme Zorba, o Grego, dirigido por Michael Cacoyannis e estrelado por Anthony Quinn. Theodorakis, para além de sua carreira artística, era um símbolo da resistência contra a ditadura dos coronéis, de 1967 a 1974. Morreu em Atenas, aos 96 anos, em 2 de setembro.

Publicado em VEJA de 15 de setembro de 2021, edição nº 2755

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